Ricardo Bigio

De nuvem
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18 de janeiro de 2012. Na Nuvem. Há quem observe a chuva, a neve, o sereno e a maresia. Há quem escute satélites. Há quem meça a temperatura das gentes. Há quem faça pães. Há quem traga imagens de um novo momento. Há quem traga filho. Há filho e brinquedo de vida.

Residência. Independência. Cor. Verde, azul, branco. Presença. Silêncio. Criança. Voz. Fala frenética infantil. Sorriso, dente, gengiva. Godiva, alma, luz. Termômetro. 144 vezes perdidas. Verde, água, terra. Pacha Mama ao redor. Sons, palavras. Arco, resina, harmônicos. Tempo. Tempo. Temperatura, tempero. Arco, atrito, grave, Largo, Larghetto. Madeira. Chão. Nuvem. Infância. Sagacidade. Longe cidade. Longevidade. Tenência. Prudência. Providência. Trilha. Antena. Frequência. Conexão. Coração. Introspectivo. Sol. Chuva.

Aceito chá. Aceito palavras, conversas. Aceito companhia. Aceito o Belo, o Olhar. 37 graus não é febre.

Vim para a Nuvem imergir no tocar contrabaixo. Vim conhecer, entender, ver novas pessoas, possibilidades, propostas, trabalhos. Vim captar sons, estudar concertos de Dragonetti e Dittersdorf. Vim processar ideias e imagens. Vim dormir e acordar, cantar. Vim colaborar e mostrar. Vim incomodar a vizinha com harmônicos e frases desafinadas.


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Equilíbrio

Resina. Crina. Arco. Corda. Atrito. Harmônicos. Lembro-me de Maria, amiga equilibrista. O ato de tocar contrabaixo assemelha-se ao ato de andar no fio, na popular "corda bamba". O equilibrista treina diariamente para andar sem cair, e esse treino é sempre um risco. O contrabaixista pratica diariamente para tocar com a afinação perfeita, a articulação perfeita. E é sempre um risco. Principalmente os harmônicos. Sabemos onde eles estão. Sabemos da pressão e da velocidade do arco. Sabemos o que temos de fazer. E ainda assim é um mistério se eles vão soar, se as notas estarão lá, aguardando para se manifestar.


Sonho

Estava na praia do Leblon - e não tenho nenhuma relação com o Leblon - e algumas baleias surgiram no mar. Havia uma equipe de pessoas na praia para ajudá-las, caso encalhassem. Fomos nos movimentando em direção a Ipanema. Não fazia sol. Estava nublado, com um certo friozinho. Lá pelas tantas, uma das baleias - uma orca - num salto, sai do mar e abocanha um cão. E então encalha. Ajudo a equipe a devolver a orca ao mar. Corte. A baleia se transforma numa mulher muito bonita, e bem gordinha, usando uma camiseta e calça leg pretas. Cabelos longos, levemente ondulados, morena, com um nariz bem retinho, bonito, um rosto harmonioso e quadrado. Disse-me que há muito abandonara a civilização, e vivia nas ilhas Cagarras, onde transformara-se numa baleia orca.