Rafael Perpétuo

De nuvem
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http://rafanuvem.tumblr.com/


Propostas de um Nefelibata

Vim querendo comer tuas víceras e absorver tua sabedoria. Vim pensando em me transfigurar em um urubu, espreitar os movimentos, entender como vc age. De perto mas longe o suficiente; observando do céu, além das nuvens.

Participante desde 2005 do coletivo Kaza Vazia e agora também do embriao de uma nova insistência chamada Atelier Ma, um local de ativaçao artística aberta ao público dentro do Mercado Novo de Belo Horizonte, meu interesse e projeto para a auto-residência NUVEM é analisar a infra-estrutura espacial, além dos conceitos, contexto e relaçoes que sustentam e consolidam projetos como este. Com isto pretendo entender e ajudar a aplicar as atitudes bem-sucedidas detectadas aqui em outras iniciativas de forma sistemática e, também, a disseminar açoes deste porte em espaços ñ-convencionais/independentes/ordinários. .

Mas há um problema aí: o instinto de artista me faz querer vomitar ideias à todo momento. E a palavra tecnologia em pauta nesta residência me martela.


Manifesto de um observador de NUVEM, também

Acreditamos que as nuvens vêm sendo injustamente caluniadas e que a vida sem elas seria imensamente mais pobre. Achamos que as nuvens são a poesia da Natureza, e o mais igualitário dos espetáculos por ela proporcionados, já que todos podem desfrutar de uma visão fantástica das nuvens. Comprometemo-nos a combater a "mentalidade céu-azul" sempre que a encontrarmos. A vida seria tediosa se tivéssemos de encarar - dia após dia - a monotonia de um céu sem nuvens. Procuramos lembrar às pessoas que as nuvens são expressões de estados de espírito da atmosfera e podem ser lidas da mesma forma que as expressões no rosto de alguém. Acreditamos que as nuvens são para os sonhadores e que sua contemplação é benéfica para a alma. Na realidade, todos os que refletem sobre as formas que elas abrigam economizarão na conta do psicanalista. Assim, dizemos a todos os que se dispõem a escutar: Ergam os olhos e maravilhem-se com a beleza efêmera, e levem sua vida com a cabeça nas nuvens.

(Guia do Observador de Nuvens, de Gavin Pretor-Pinney - Editora Intrínseca)

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Tecnologia de bordo

Dentro de uma residência, a experiência é obviamente tomada como um dos objetivos mais importante. Porém, além disso, tenho discutido com Raphael e os outros residentes {no momento, Mariana, Luísa e nossas anfitrias Cinthia e Luciana) a necessidade de também arregimentar resoluçoes mais contundentes e pontuais sobre o que, de fato, estamos produzindo aki. Meu objetivo é claro: entender de dentro pra fora como funciona o NUVEM. Mesmo assim, o instinto de artista nao me escapole e estou arquitetando outras ativaçoes.

Venho pensando essa condicional da residência que é o trato com a tecnologia. Defino esta como o domínio ou manuseio de termos e conhecimento técnico de certo assunto. Tecnologia de ponta, seria algo como o conhecimento do que há de mais recente naquele campo. E nao me refiro unicamente â saber manusear estes eletrônicos que nao faço sequer ciência â que pé estamos discutindo (automaçao, holografia, tecnologia digital...). Vermeer tinha o domínio da tecnolgia de ponta ao trabalhar com uma tinta à òleo, ao que dizem, conseguia um azul caríssimo, único entre seus pares. Picasso também era um tecnòlogo para sua geraçao ao realizar sua primeira colagem.

Penso entao que tecnologia depende dakilo q está mais próximo de suas maos e como você resolve um sistema, uma equaçao. Resolvi apelar e realizar um conjunto de trabalhos com as tecnologias que disponho e domino no momento: a escrita, o desenho, o esculpir, a fotografia manipulada e o vídeo. Comecei entao pela escrita em meu caderno de anotacoes patetico e sem graça; um diario dos meus dias gloriosos aki...


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Sobre dias gloriosos e distância

Próximo à escrita transita o desenho. Criam-se todos dias textículos sobre morte da pintura. Vejo isso mais como instigaçoes mercadológicas do que de fato um interesse para o fim histórico da arte. Pelo menos o desenho se encontra num estado paralelo à viver. Está de fato sempre habitado pela morte. Outrora simples mecanismo de preparaçao da pintura, depois pensada como a reverberadora maternal da arte e, ainda, como forma de contraposiçao â volta da pintura (como os desenhistas mineiros de 70 e 80), sempre esteve de fora de qualquer luz sublime. Semprei um fantasma.


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Afluências: homem/floresta: Vale do Pavão

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