Mayra Martins Redin + Bebeto Bahia Duarte

De nuvem
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Projeto

Deslocamentos e correspondências para atravessar um pequeno abismo


Propomos criar uma dinâmica de trocas num espaço de distância geográfica menor (proporcionado pela convivência numa mesma casa – a nuvem). Mas também nos interessa pensar e provocar um outro tipo de prolongamento e diminuição de distância que não só a geográfica. Pensar esta outra distância como um pequeno abismo que faz com que a gente tente e deseje se comunicar. Ou seja, uma distância física-geográfica menor mas mantendo a ideia de endereçamento, entre um e outro, de um para outro, levando em conta também os outros que encontraremos na Nuvem. Para isso, criaremos proposições diárias de distanciamentos e aproximações (não somente físico-geográficos, como já foi dito) para ter uma espécie de método (levando em conta o acaso). Estas proposições serão percursos que cada um de nós fará por dentro da casa e nos arredores (cada qual na sua dinâmica) em busca de coisas que não sabemos exatamente o que poderão ser, tendo um ao outro como interlocutor (o endereçamento como motor da busca). Vale dizer que estes procedimentos de busca já fazem parte das nossas poéticas individuais e que a interlocução entre nós já acontece, principalmente através de cartas e mails, ou seja, através da palavra escrita.


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Buraco do Sussurro

(túnel,trilha,duto,passagem,via,rua,caminho)

Transitar, fluir, trafegar, passar, caminhar, ir, desejar, despejar, transbordar, direcionar, deixar, transportar, atravessar.


Ouvido e voz.


Pesquise um lugar com terra onde não haja muitas pedras. Deite sobre a terra. Tire a medida com seu braço sobre ela, até onde ele alcança: da ponta dos dedos ao ombro. Marque dois pontos opostos. Comece a cavar um dos pontos com uma pá de jardim e com as mãos. Se imagine tatu. Pense na profundidade onde estes dois pontos se encontrarão dentro da terra. Sinta o cheiro da terra e as unhas sujas. Retire a terra com as mãos e junte ao lado. Cave até ter todo o braço dentro da cavidade, até a parte dos ombros. O fundo da terra e suas raízes. Comece a cavar o outro ponto até que as duas cavidades se encontrem. Retire a terra do local. Prepare o lugar para se deitar. Faça uma tampa com o que achar melhor, para as duas cavidades. Registre o processo. Suje a testa de terra. Sussurre. Ouça.

Feitura.JPG Mari.JPG Cinthia.JPG Ines e Kadija.JPG

vídeos:

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Rumor e balbucio

Barthes, sobre o rumor, no texto “O rumor da língua”. Ele distingue “rumor” de “balbucio”. O “rumor” é quando a máquina funciona bem. É um som, uma música. Mas é um paradoxo: por funcionar tão bem, é silencioso (por perder os sentidos). O rumor, para Barthes, tem a ver com gozo. Quando a máquina funciona bem, os sentidos são impenetráveis, incompreensíveis. O balbucio é um medo, medo de que a máquina falhe. É quando hesitamos, e corrigimos. Ele diz que a língua falada está condenada ao balbucio, porque sempre vai existir muito sentido na linguagem. Então, o rumor seria uma utopia. Os sentidos, nesta experiência de rumor, existem enquanto “miragem”, um sentido que faz ouvir uma isenção de sentido.


Paradoxo, ao acaso

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