Carolina Vellozo Martins Secco + Roberta Pinheiro Guizan Silva

De nuvem
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conceito/ objetivo

Construir estruturas suspensas fixas nas árvores que sejam maleáveis e permitam a exploração do corpo e do objeto. Investigando a técnica do crochê de dedo.


técnicas

Crochê de dedo

Amarrações

Passo-a-passo (pode ser um hiperlink do crochê de dedo)


materiais utilizados

Fio de polipropileno com alma de 3mm para o crochê e 8mm para amarrações.

Ferragens de alumínio para reforço das alças.


processo

pré-residência

inspiração

O projeto se iniciou com um desejo que surgiu ao presenciarmos e vivenciarmos uma das obras do artista plástico Ernesto Neto, montada na Estação da Leopoldina, no Rio de Janeiro. Sua instalação, "O bicho suspenso na paisagem", era uma estrutura totalmente suspensa permitindo que quem a visitasse, pudesse explorá-la andando por toda a sua extenção.Ocupando boa parte do galpão principal da estação, a estrutura nos surpreendeu por ser toda confeccionada em crochê. As plataformas, pelas quais podíamos andar, funcionavam como uma espécie de almofadas. Dentro dos módulos de crochê, eram colocadas bolinhas plásticas (similares as encontradas no brinquedo "piscina de bolas"). O papel delas era de estruturar a rede, deixando-a quase que estática. A partir dessa experiência, surgiu o desejo de criarmos algo parecido, mas que se fixasse em árvores, criando uma estrutura suspensa a livre experimentação do corpo e do espaço.

o fazer

Iniciamos o projeto fazendo uma estrutura com o conhecimento básico que tinhamos sobre crochê e amarrações. Ao colocarmos o experimento em teste, fixando-o em árvores e subindo em cima da estrutura, notamos que, além de ceder ao peso ao ponto de tocar no chão, alguns dos pontos de crochê arrebentaram. Então, para realizarmos esse desejo, precisávamos descobrir como fazer o crochê, entender como essa trama trabalha e como poderíamos fixá-la nas árvores. Diferente do trabalho de referência, nosso objetivo era que o crochê por si só nos proporcionasse uma superfície na qual pudéssemos subir e explorar, sem contar com a estruturação de um segundo componente. Visto que, tínhamos pouca experiência anterior com tais técnicas, buscamos o auxílio de algumas pessoas que podiam nos guiar nessa busca. Em primeiro lugar, procuramos duas amigas que tiveram a oportunidade de trabalhar com a técnica do crochê para entendermos como replicá-la. Posteriormente recorremos a um outro amigo que tem experiência com a produção de estruturas de bambu e um vasto conhecimento sobre nós e amarrações para chegarmos a uma opção que atendesse nossas demandas. As duas soluções estarão citadas com maiores detalhes no decorrer dos relatos.

testes

Após os encontros para aprendermos as técnicas necessárias para a produção do nosso experimento, iniciamos a confecção de um objeto de estudo para aprimorarmos nossas habilidades no fazer e submeter a estrutura a um primeiro teste, mesmo que este não simulasse de fato a situação que iríamos encontrar futuramente. Com este teste pudemos notar a importância da existência de um padrão na criação de módulos para a construção da estrutura. Ele permite não só uma geometria mais homogênea, como também uma distribuição melhor do peso entre todos os nós. Também fizemos testes de diferendes fios, com e sem alma, provando que a existência da alma confere ao módulo a característica de menor elasticidade, o que era interessante para o objeto.

residência

produção dos módulos

Produzimos oito módulos redondos com, em média, 7 voltas. Este valor não é exato, pois, como não conseguimos chegar a um padrão de tamanho do ponto, preferimos manter o diâmetro dos círculos iguais, do que o número de voltas.

Para o acabamento de cada círculo demos um nó e queimamos sua ponta para que a mesma não desfie. Isto deve ser feito e todas as pontas de corda.

observar as árvores

A observação das árvores do terreno foi uma etapa determinante do processo, visto que, a geometria final da estrutura estava diretamente ligada a disposição das futuras amarrações que teríamos que realizar. Observando o contexto, encontramos duas combinações interessantes, procurávamos no mínimo quatro árvores próximas. A escolha se deu pela acessibilidade das árvores e o terreno que ficaria embaixo da estrutura, evitando pedras, plantas, etc.

(foto árvores)

pensar na disposição dos módulos

Com o contexto observado, foi possível vislumbrar possíveis formações para os módulos pré-produzidos. Buscávamos formas que nos proporcionassem vértices, dos quais sairiam as amarrações para as árvores. Era importante, também, que esta geometria fosse totalmente tensionada depois de submetida as amarrações. Adotamos então uma formação com três fileiras de módulos, tendo duas fileiras com três módulos e a última fileira com dois módulos.

unir os módulos

A união dos módulos se dá através do próprio crochê. Primeiramente reproduzimos a disposição dos módulos no chão e iniciamos uma corrente que apenas unia cada um dos círculos, pensando que essa seria uma boa forma de visualizar a geometria antes de terminá-la de fato. Quando todos os círculos estavam unidos, os levamos para a área externa, com o objetivo de conferir se a forma que estávamos chegando atenderia realmente a demanda implícita pela disposição das árvores. Como a resposta do teste anterior foi positiva, iniciamos o preenchimento dos espaços vazios existentes na estrutura. Também preenchemos algumas extremidades para garantir que a geometria se tencionasse por inteiro.


fixar estrutura

Para fixar a estrutura, precisamos testar o encontro das cordas mais grossas com o croche. Na primeira tentativa, passamos a corda por entre alguns nós da extremidade do crochê, como na foto. Isso fez com que o croche se deformasse pois os pontos todos se juntam com a tensão. Ao colocar peso na rede, esses pontos foram se rasgando, pois eram os unicos segurando o peso de toda a estrutura. Esse teste foi feito com uma corda de algodão, que também é muito frágil.

Arquivo:Amarracao1.jpg
experimentando a amarração

No próximo teste, tecemos

experimentar

manutenção