Bioconstrução - Mateus Ribeiro Foscarini (MG)

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A Bioconstrução

A crescente procura por uma melhor qualidade de vida associada ao seu elevado custo nos centros urbanos, tem progressivamente nos conduzido a adoção de processos menos impactantes e custosos. Com isso os processos rurais comuns, presentes até hoje na vida dos moradores do campo, tem possibilitado um novo horizonte na busca pela qualidade de vida quando dinamizados em conjunto com tecnologia disponível atualmente. Dentre tantas possibilidades para se aprofundar, a construção do espaço físico é completamente inerente ao ser humano, e por isso uma mudança no conceito construtivo seria de grande valia para o meio ambiente. Considerando isto a bio-construção é um forte caminho, pois através da redução dos custos e impactos nas atividades cotidianas contribuímos significativamente na busca por um ambiente mais qualitativo e sustentável. Sendo assim a proposta é desenvolver uma estrutura que se utiliza de uma lógica modular associada ao uso de um material natural e dinâmico:o bambu.[[1]]

Consiste em desenvolver módulos de fácil assimilação e incorporação do processo, que quando combinados possibilitem vencer grandes vãos através de arcos treliçados. A estrutura atenderia a diversas demandas e poderia ser utilizada como estufa, garagem, oficina, viveiro, baias para cavalos, além de eventos ou até mesmo em uma casa. Portanto, projeta-se a fácil incorporação do processo e conseqüente multiplicação da técnica além da multifuncionalidade da lógica construtiva que pode ser adaptada de acordo com a necessidade e material disponível contribuindo com a quebra dos paradigmas construtivos.

imagem ilustrativa
Oficinabio.jpg

O Projeto

A estrutura utiliza apenas de materiais de fácil acesso como bambu, barra rosca e cabos de aço ou cordas, e consiste em cinco módulos em arco dispostos em paralelo formando uma área livre de 90 m2 com pé direto central de 4,50 metros. A estrutura é feita de bambu previamente tratado (da maneira mais adequada em cada contexto), com diâmetro entre 4cm e 5cm, preferencialmente utiliza-se o do gênero Phyllostachys , por sua resistência estrutural e facilidade de tratamento.Os módulos se dividem basicamente em: Módulo-base – este módulo foi planejado a fim de facilitar o processo produtivo, para isso foram adotadas dimensões, pesos e peças a fim que uma pessoa, até mesmo sozinha, possa montá-lo. Para sua montagem são utilizadas 3 varas de 2,00m, 3 varas de 2,30m, 1 metro de barra roscada 6mm, 8 porcas de 6mm, 8 arruelas de 6mm ou 8mm. Modulo arco – a montagem dos arcos são feitas pela combinação e encaixe dos módulos-base previamente montados. O projeto utiliza cinco arcos dispostos paralelamente e formados por dez módulos menores cada um. Modulo teto – para a união dos arcos e estruturação do telhado seriam desenvolvidos dez módulos com bambus dispostos em paralelo na horizontal Para a união dos módulos em arco seriam utilizados cabos de aço 5mm ou cordas dinâmicas, que serviriam de contraventamentos nas laterais e no eixo superior da estrutura.

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Ferramentas


São necessárias ferramentas normais como arcos de serra ou serras mecânicas, chaves de fenda e chaves de boca condizentes com o diâmetro da barra roscada. É imprescindível disponibilidade de ao menos uma furadeira mecânica.


Materiais


- 500 varas de 3m de bambu tratado, preferencialmente do gênero Phyllostachys e com diâmetro entre 4cm e 5cm. - 45m de barra roscada* - 640 arruelas e 640 porcas* - 800 lacres simples - 128 metros de cabos aço 5mm ou de cordas resistentes - 30 metros de corda de 8mm - Lona ou material plástico com 10m x 15m.



Planejamento

1 - Corte das peças de bambu : 1 dia 460 peças/ 115 por pessoa

2 - Corte das barras: 1 dia 200 peças / 50 por pessoa

3 – Montagem dos módulos: 4 - 5 dias 50 módulos / de 12 a 13 por dia

4 – Montagem e posicionamento dos arcos: 1 dia e meio 2h por arco

5 – Montagem dos módulos do telhado: 2 dias e meio 1h30min por módulo

6 – Contraventamentos e fechamento do teto: 2 dias


Tempo total: 12 a 13 dias



Diário de Execução

05/set/2013 (Dia:1)

Apresentações


06/set/2013(Dia:2)

Apresentação e detalhamento dos projetos e direcionamento dos colaboradores


07/set/2013(Dia:3)

Os grupos se reuniram para iniciar seus respectivos trabalhos. Nós da Bioconstrução iniciamos o redimensionamento do projeto afim de adequá-lo as condicionantes locais. Dentre elas, o uso do bambu Tuldoides (Bambusa tuldoide) e seus possíveis processos de tratamento.


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No período da tarde reunimos um grupo para o "corte das varas". Havíamos definido, anteriormente, o corte de 90 varas mas pelo tamanho dos bambus encontrados mudamos para a quantidade de 79 varas organizadas em feixes de 16 bambus em média. A noite, durante uma das muitas conversas produtivas na casa, o "Magrão" [[2]] ensinou um nó capaz de substituir o uso de lacres em grande parte da estrutura.

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08/set/2013(Dia:4)

Pela manhã fizemos um multirão para transportar os feixes de bambus que deixamos na touceira. Foram dois "carretos" transportando 30 bambus no primeiro e 49 no segundo. Em uma conversa ,sacolejando na caçamba, chegamos a conclusão de que seria conveniente desenvolver outra fonte de calor, além do maçarico, para o tratamento dos bambus.Isso tornaria o processo mais produtivo.

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Após o almoço começamos desenvolver o mini tratador. Considerando as possibilidades locais e possíveis transtornos. A noite finalizamos o cronograma com mérito para organização e diagramação da " Malu "[[3]].

Calendário projeto bioconstrução.jpg




09/set/2013(Dia:5)

Logo pela manhã começamos cortar as peças do módulo ( 90 de 1,70cm e 90 de 1,50 cm. No corte, atentamos para o posicionamento ser próximo ao nó. Seguimos pela tarde concluindo estas peças e cortando outras de 3m. Durante a noite fizemos um teste para o tratamento utilizando álcool e estopa. Devido a queima ser mais rápida do que esperávamos surgiu a possibilidade de tratá-los na sauna disponível na casa.

Bambu.5.JPG


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10/set/2013(Dia:6)

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Da possibilidade da sauna, providenciamos lenha para aquecê-la. Colocamos os bambus por volta das 14hrs e tivemos que buscar mais lenha pois, diante do volume dos bambus e da temperatura média da sauna (50ºC) teríamos que manter o fogo por muitas horas. Seguimos alimentando o fogo e trocando a posição dos bambus ao longo do dia.

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Sauna 3.jpg














11/set/2013(Dia:7)

Mantivemos os bambus na sauna durante todo o dia e a noite quando nos reunimos tratamos as 20 varas de 3m na fogueira. Enquanto isso os demais bambus seguiam na sauna.

12/set/2013(Dia:8)

Na parte da manhã seguimos com os bambus na sauna e a tarde começamos a tira-los e marcas os pontos de furação.

13/set/2013(Dia:9)

Tiramos o dia preparando as peças, para isso nos dividimos para cortar as barras roscadas e furarmos os bambus.

14 e 15/set/2013(Dia:10 e 11)

Como os bambus tiveram que ficar na horizontal para caber na sauna, tivemos que tratar algumas partes que não tiveram contato com calor suficiente. Para evitar que uma possível fissura no bambu se estenda e o rache fixamos lacres (enforca-gato) próximo aos parafusos.

16/set/2013(Dia:12)

Estando tudo preparado passamos o dia montando os 30 módulos que comporiam os 3 arcos. processo que foi bem prazeroso, pois após alguns dias de preparação tivemos resultados visíveis.

17/set/2013(Dia:13)

Com o dia se mantendo chuvoso e o andamento dos trabalhos estando avançados aguardamos uma melhora para unir os módulos e montar os arcos. Como os módulos são articulados os dobramos e abrigamos da chuva.

18/set/2013(Dia:14)

O dia continuou chuvoso, mas em uma estiagem montamos os arcos e logo os apoiamos na fachada da casa.

19/set/2013(Dia:15)

Um pouco cansados da comemoração da noite anterior, descansamos ao longo do dia. A noite posicionamos os arcos e os estabilizamos.

20/set/2013(Dia:16)

Dia da partida